Projeto Respiração 15 | Maria Nepomuceno e Sara Ramo


O que não tem fim nem tem começo

Maria Nepomuceno

Pulso

Sara Ramo

Penumbra


Projeto Respiração 15

Intervenção de arte contemporânea
no acervo da Fundação Eva Klabin


Curadoria Marcio Doctors

Exposição com visita guiada à coleção
04 de maio a 01 de julho
Terça a domingo, das 14 h às 18 h


Leia o texto do Curador 
Leia o release

Projeto realizado com o patrocínio do Governo do Rio de  Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura - Edital ARTES VISUAIS 2011

Oficina do Projeto Respiração no Complexo da Maré

Oficina do Projeto Respiração no Complexo da Maré

Em 2011, a Fundação Eva Klabin tomou a iniciativa de levar o Projeto Respiração para fora da instituição, com a clara intenção de estabelecer uma rede de trocas de experiência entre a Fundação e comunidades carentes da cidade e do estado do Rio de Janeiro. Foi assim que surgiram as Oficinas do Projeto Respiração, realizadas entre abril de 2011 a março de 2012, com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

A última oficina, que aconteceu no dia 20 de março, aconteceu no Projeto Mão na Lata e foi dirigida pelo fotógrafo Mario Grisolli, autor do registro fotográfico das últimas edições do Projeto Respiração.

Mão na Lata é um projeto de educação que visa o desenvolvimento pessoal e social de adolescentes da Maré por meio da fotografia e da literatura. O nome do projeto veio da principal técnica usada nas oficinas, o pinhole, que permite explorar os princípios básicos da fotografia de forma lúdica, desde a confecção das câmeras, a partir de latas recicladas, ao momento de revelação dos negativos. O projeto é resultado de uma parceria entre a fotógrafa Tatiana Altberg e a Redes de Desenvolvimento da Maré e teve início em 2003, associando o ensino dos processos fotográficos a exercícios literários, desenvolvendo a criatividade e a capacidade narrativa dos participantes.

O fotógrafo Mario Grisolli apresentou seu trabalho e algumas de suas ricas experiências no campo da fotografia e propôs que os participantes criassem narrativas a partir de imagens por eles captadas no entorno do espaço da oficina, na própria Maré. O objetivo era que cada um construísse, a partir das imagens dos outros, sua própria narrativa.  Foi uma experiência lúdica e enriquecedora, que certamente contribuiu para o processo que o grupo já vem desenvolvendo.

Próxima oficina do Projeto Respiração acontece em Petrópolis


Nos dias 18 e 19 de outubro (terça e quarta-feira), a Fundação Eva Klabin vai oferecer a Oficina do Projeto Respiração na cidade serrana de Petrópolis. Organizada em parceria com o Centro de Capacitação Frei Memória e comandada pelo artista plástico João Modé, a oficina reunirá professores de arte ligados à Secretaria Municipal de Educação de Petrópolis. O objetivo é apresentar ao grupo o Projeto Respiração da Fundação Eva Klabin e propor uma atividade que, a partir do conceito do projeto, proporcione uma reflexão sobre o objeto de arte, sua carga afetiva e seu potencial transformador na ocupação de espaços. A proposta é que os professores multipliquem e compartilhem esta experiência em sala de aula com seus alunos.

O Projeto Respiração da Fundação Eva Klabin, criado em 2004 pelo curador Marcio Doctors, consiste em convidar artistas contemporâneos a intervir no circuito expositivo da casa-museu, estabelecendo uma conexão entre a arte consagrada e as manifestações contemporâneas, propiciando novas formas de leitura do acervo constituído de arte clássica e arqueológica – que abrange 4.000 anos de história da arte, do Egito Antigo ao Impressionismo. Em 2011, o Projeto Respiração está realizando oficinas de arte em diferentes espaços como a Biblioteca Parque de Manguinhos, o Solar Meninos de Luz e a Redes de Desenvolvimento da Maré, contando com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

João Modé, que apresentou a intervenção Invisíveis na 10ª edição do Projeto Respiração em 2009, nasceu em Resende e vive e trabalha no Rio de Janeiro. Seu trabalho articula-se por uma noção plural de linguagens e espaços de atuação. Alguns projetos, como REDE – desenvolvido em diversas cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Berlim, Stuttgart e Rennes – e Constelações, envolvem a participação direta do público. Participou da 7ª Bienal do Mercosul [2009], da 28ª Bienal de São Paulo [2008], do Panorama da Arte Brasileira de 2007 e da Bienal de Praga [2003]. Exposições individuais recentes: João Modé, A Gentil Carioca; Para o Silêncio das Plantas, Cavalariças do Parque Lage [2011] ambas no Rio de Janeiro; De Sertão, MAMAM, Recife [2010]. Tem exposto também no exterior, em países como Suécia, Holanda, Suíça, Inglaterra e Alemanha, entre outros. Em 2011, publicou o livro Alguns Infinitos, pela editora Aeroplano. Possui formação em Arquitetura e Programação Visual, com mestrado em Linguagens Visuais pela UFRJ.

[Oficina do Projeto Respiração | João Modé | 18 e 19 de outubro de 2011 (terça e quarta-feira), na Universidade Católica de Petrópolis. Rua Benjamin Constant, 213, Centro - Petrópolis, RJ. Realização: Fundação Eva Klabin - site: www.evaklabin.org.br | Blog: www.projetorespiracao.blogspot.com. Coordenação e organização: Ruth Levy. Patrocínio: Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro].


Aproveite para rever as imagens da intervenção Invisíveis de João Modé na 10ª edição do Projeto Respiração

Abertura da 14a edição do Projeto Respiração


O Globo - Segundo Caderno - 09/09/11 - pag 3 (foto Mario Grisolli)

14ª Edição do Projeto Respiração | Enrica Bernardelli | Daniel Blaufuks

A Fundação Eva Klabin abre dia 10 de setembro, sábado, a 14ª edição do Projeto Respiração. Coincidindo com a realização da ArtRio – primeira Feira Internacional de Arte do Rio de Janeiro - , essa edição reúne, não por acaso, o trabalho de dois artistas, uma brasileira e um estrangeiro. Enrica Bernardelli apresenta Concerto de pálpebras, que é um convite para atravessarmos o dia sem excluir a arte do nosso cotidiano. E o premiado artista português Daniel Blaufuks traz Três quartos de memória, cujo título é um jogo de palavras intencional, que fala do espaço da casa utilizado pela exposição, e que se refere simultaneamente à impossibilidade de termos uma memória integral e objetiva do passado.

Outros eventos acontecem paralelamente à abertura do Projeto Respiração: no dia 08/09, quinta-feira, o curador Márcio Doctors faz palestra sobre o tema, às 18h, no Espaço Livraria Blooks da ArtRio, no Armazém 2, e no dia 09/09, sexta-feira, a Fundação Eva Klabin oferece um jantar em homenagem a ArtRio, com a presença de todos os artistas que participaram do Projeto Respiração e convidados.



Enrica Bernardelli Concerto de pálpebras

A artista criou dentro da Sala Renascença da Fundação Eva Klabin outra sala de 9m X 4m, com cortinas de filó de quatro metros de altura, que isolam no museu aquilo que nele já é isolado do mundo, convidando o olhar singular de cada um a atravessar esse espaço duplamente segregado, instaurando, dessa maneira, um novo território impregnado pela potência da arte. Para Enrica Bernardelli “os elementos importantes desse trabalho são as cortinas e as pálpebras, porque elas velam e revelam, e nos permitem entender que a verdadeira dimensão é quando a arte é percebida na existência, sem necessidade de interagir com a obra. A arte não precisa estar nos museus, mas permear nosso cotidiano.” O que propõe com esta intervenção é fazer um cinema sem filme, transformando esta intervenção em um fragmento do Filme U, que é uma obra da artista que se desdobra no tempo e que se materializa de diversas formas, dependendo do momento e do lugar em que é criada.

Nas palavras de Marcio Doctors, curador da Fundação Eva Klabin, a artista criou para o Projeto Respiração “uma cena estática, em que os corpos vivos desencadeiam uma realidade irreal em suspensão, como se fosse uma memória do futuro num ambiente que guarda a memória do passado. É uma cena muda envolta por sons de pássaros, cujo canto puxa o visitante de volta à realidade imediata da vida, indicando que dentro e fora não existe na arte. Por isso, as tênues cortinas de filó, que separam o museu do próprio museu, assim como as pálpebras, cujo movimento nos leva para dentro e para fora de nós mesmos, nos lembram da delicada e sutil separação entre uma arte e uma vida pulsante e uma arte e uma vida adormecida no cotidiano.”





Daniel Blaufuks Três quartos de memória

A intervenção se divide em quatro peças distintas para a exposição e terá como principal destaque um vídeo em película super 8 filmado dentro da casa-museu. No vídeo Três Quartos de Memória, Daniel Blaufuks procura estabelecer um diálogo com a sensação de suspensão do tempo e do espaço dentro da casa, estabelecendo relações sensoriais entre as pinturas, fotografias e reminiscências contidas nos ambientes. Os outros três trabalhos do artista, Déjà vu, Memory Landscapes (Shoah) e Auto-retrato, serão “descobertos” ao longo do percurso que vai sendo construído até chegar ao filme-coração, no Quarto de Dormir de Eva Klabin. “O título do filme, que é também o título da exposição, representa um jogo de palavras intencional, que fala simultaneamente do espaço ocupado pela intervenção e da impossibilidade de uma memória integral e objetiva”, explica Daniel Blaufuks.
A predileção pelas conexões entre o espaço e o tempo, a memória pública e a privada, temas muito presentes em suas obras, conjugou-se com o que encontrou na Fundação Eva Klabin, uma casa privada que se tornou pública, criando um espaço com uma nova vivência, mas em que restam todos os elementos da vivência anterior. Daniel Blaufuks é, na visão de Marcio Doctors, curador do Projeto Respiração, “um artista poeta, cujo material de trabalho é a memória da vida. Em sua intervenção, seu olhar visita a casa-museu através dos olhares das pinturas da coleção, numa sutil troca de posição com o artista e com os espectadores, como se o acervo guardasse os segredos e as lembranças de um tempo que pertence a ele e ao qual temos acesso apenas parcialmente.”

Sobre os artistas
Enrica Bernardelli nasceu em Brescia, na Itália e aos cinco anos de idade veio para o Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Autodidata, iniciou sua carreira como cineasta e seu primeiro filme, “Infinito Conquistar”, foi citado por Glauber Rocha no livro “A Revolução do Cinema”. Nos anos 90 passou a dedicar-se às artes visuais, tornando-se um dos expoentes da Geração 90. Entre suas exposições individuais, destacam –se No Avesso da Serpentina, MAM, Rio de Janeiro, 2001; Invertidas, Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, 2002 e Filme U, Galeria Laura Alvin, Rio de Janeiro, 2010. Participou de importantes exposições nacionais e internacionais como Suspended Instant, Sculpture Center, Nova York,USA, 1997; Novas aquisições MAM, Rio de Janeiro, 2000; London Bienal, Londres, 2001; Bienal Internacional de São Paulo, 2002; Bienal de Belas Artes, Buenos Aires, Argentina, 2002, Bienal Mercosul, Porto Alegre, 2001 e 2005; Lisboafoto, Lisboa, 2005 e 2006, entre outras. Tem obras em várias coleções particulares, com destaque para a Fundação Cartier, a Fundação Cisneros e a Coleção Gilberto Chateaubriand.

Daniel Blaufuks nasceu em Lisboa, Portugal. Fotógrafo, cineasta e professor, fundador da Escola Maumaus, em Lisboa; professor da Escola de Arte Contemporânea do Centro de Artes & Comunicação Visual e da Escola Técnica de Imagem e Comunicação, de Lisboa. Exposições mais recentes: Os olhos da memória vêm melhor do que os nossos, Galeria Projetti RIo, Rio de Janeiro, 2011; Blaufuks, Galeria La Caja Negra, Madrid, 2007; Perecs Büro, Kunstverein Ruhr, Essen, 2010 (curated by Sérgio Mah); A memória da memória, Carpe Diem, Lisboa, 2010, entre outras. Seu documentário Sob céus estranhos, sobre refugiados judeus em Lisboa, na Segunda Guerra Mundial, foi visto em festivais de Nova Iorque, Toronto, Montreal, Berlim e Madri. Conquistou diversos prêmios. Os mais recentes são Best Portuguese Documentary, IndieLisboa, 2011, Best proposal, LOOP, Barcelona, 2008, Shortlisted for the Pilar Citoller Award, 2007, Selected for the Deutsche Boerse Award, 2007, Best Photography Book of the Year in the International Category, Photoespana, 2007
.

Projeto Respiração 14ª Edição - Fundação Eva Klabin - Av. Epitácio Pessoa, nº 2480, Lagoa, Rio de Janeiro. Abertura para convidados, 10 de setembro de 2011, sábado, a partir das 17h. Exposição: de 11 de setembro a 06 de novembro de 2011, de terça a domingo, das 14 às 18h. Ingressos: R$ 10,00 Meia entrada: R$ 5,00
Email: cultura@evaklabin.org.br Site: www.evaklabin.org.br.

Atividades paralelas:
08 de setembro - quinta-feira- 18h - Palestra sobre o Projeto Respiração com o curador da FEK, Marcio Doctors, no Espaço Livraria Blooks da ArtRio - Píer Mauá, Armazém 2. Av. Rodrigues Alves, 10, Centro.
09 de setembro - sexta-feira - 20h - Pré-abertura da 14ª edição do Projeto Respiração e jantar em homenagem à ArtRio, para convidados, na Fundação Eva Klabin.

Concerto de pálpebras | Foto Mario Grisolli
Três quartos de memória | Autorretrato na Casa de Eva Klabin

Oficina do Projeto Respiração | Anna Bella Geiger | Redes de Desenvolvimento da Maré


Fundação Eva Klabin realiza oficina de arte na Maré

A Fundação Eva Klabin realiza a Oficina do Projeto Respiração dirigida aos alunos do curso de Mediadores Culturais do Ponto de Cultura Rede de Arte e Cultura da Maré. A oficina será comandada pela artista plástica Anna Bella Geiger e tem o objetivo de apresentar ao grupo o Projeto Respiração da Fundação Eva Klabin e propor atividades que, a partir do conceito do projeto, proporcionem aos participantes uma experiência de aproximação com a arte e com seu potencial transformador.

O Ponto de Cultura é ligado à Redes de Desenvolvimento da Maré (www.redesdamare.org.br) e promove, entre várias outras atividades, o curso de formação em mediação cultural para jovens interessados em arte e cultura e que desejam futuramente atuar na produção e difusão de projetos e atividades culturais.

O Projeto Respiração da Fundação Eva Klabin, criado em 2004 pelo curador Marcio Doctors, consiste em convidar artistas contemporâneos a intervir no circuito expositivo da casa-museu, estabelecendo uma conexão entre a arte consagrada e as manifestações contemporâneas, propiciando novas formas de leitura do acervo constituído de arte clássica e arqueológica – que abrange 4.000 anos de história da arte, do Egito Antigo ao Impressionismo. Em 2011, o Projeto Respiração está sendo levado a comunidades da cidade, através de oficinas de arte, com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

Anna Bella Geiger é escultora, pintora, gravadora, desenhista, artista intermídia e professora. Sua obra é marcada pelo uso de diversas linguagens e a exploração de novos materiais e suportes, situando-se no limite entre pintura, objeto e gravura. Tem trabalhos (fotografias) em museus como o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque; O Centro Georges Pompidou em Paris; A Getty Collection, em Los Angeles; o Museu de Arte Contemporânea de São Paulo; a FOGG Collection, em Harvard, Boston e a Biblioteca Pública de Paris. Atualmente apresenta a exposição Anna Bella Geiger circa MMXI no Arte Sesc, no Flamengo, em que faz uma retrospectiva de 60 anos de sua trajetória.

Oficina do Projeto Respiração | Anna Bella Geiger | 18 e 20 de agosto de 2011

Local: Redes de Desenvolvimento da Maré - tel (21) 3105-5531- www.redesdamare.org.br

Realização: Fundação Eva Klabin - site: www.evaklabin.org.br
blog: www.projetorespiracao.blogspot.com

Coordenação e organização: Ruth Levy
Patrocínio: Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro

Foto: Circa | Projeto Respiração | 2006
Vicente de Mello

Oficina do Projeto Respiração | Paulo Vivacqua | Arte Sonora


O Projeto Respiração da Fundação Eva Klabin, criado em 2004 pelo curador Marcio Doctors, consiste em convidar artistas contemporâneos a intervir no circuito expositivo da casa-museu, estabelecendo uma conexão entre a arte consagrada e as manifestações contemporâneas, propiciando novas formas de leitura do acervo constituído de arte clássica e arqueológica – que abrange quatro mil anos de história da arte, desde o Egito Antigo até o Impressionismo. Dessa forma, o artista oxigena, revitaliza e atualiza o sentido da coleção.

Em 2011, o Projeto Respiração está sendo levado a comunidades carentes da cidade, através de oficinas de arte, com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. A próxima oficina será Arte Sonora, realizada pelo artista plástico Paulo Vivacqua, nos dias 10 e 11 de agosto, para alunos do Solar Meninos de Luz.

A oficina começa com uma apresentação da museóloga Ruth Levy sobre a Fundação Eva Klabin e o Projeto Respiração. Em seguida, o artista Paulo Vivacqua, que participou da 4ª edição do Projeto Respiração com a intervenção Visita, fará uma apresentação sobre seu trabalho, os princípios que o regem e a proposta da oficina. Vivacqua vai trabalhar com a idéia de objeto sonoro, falando da historia da arte sonora e da musica, apresentando exemplos e vídeos, mostrando a abordagem do som de uma nova maneira, deslocando seu contexto original e analisando suas características. Depois, cada participante irá escolher um determinado som que tenha um significado especial, relacionado a algum estado emocional ou situação e, no segundo dia da oficina, poderá expor sua escolha, descrever esse som e o contexto em que ele se insere. Mais do que reproduzir o próprio som escolhido, o interessante é cada um relatar a sua experiência; falar sobre o som como um exercício de imaginação.

Paulo Vivacqua é artista plástico e músico. Em 2001 foi selecionado pela Bolsa Virtuose para desenvolver seu projeto sobre “A Instalação Sonora” como Artista Residente na Apexart em Nova York, onde aprofunda sua pesquisa no território híbrido entre música e artes plásticas e o cruzamento entre som e espaço. Entre as obras que se destacam nos últimos anos Sound Field (2002, Sound in the Landscape, Artomi), Escape (2002, Museu del Barrio) e Radio Polyphony (2003, Diapason, The Thing) e Sentinels (2004, Sculpture Center ) todos em Nova York. Em 2005 Residuu (5ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre), 2006 Stereo Desert (Townhouse Gallery – Cairo) Nympheas (Galeria Artur Fidalgo – Rio), 2006 Visita (Fundação Eva Klabin, Rio de Janeiro). 2007 Deserto (Sternesen Museum – Oslo) e Real Imaginário (Museu Imperial – Petrópolis). Em 2008 foi selecionado para o Prêmio Arte e Patrimônio com o projeto para espaço público Sentinelas, Deserto (Centro Cultural da Caixa Economica Federal – Brasília) e Lug(ar) (1+7 – Museu Vale, Vitória Espírito Santo). Trabalhos recentes incluem a individual V(ar)riações (Galeria Artur Fidalgo – Rio), Artista convidado do 63º Salão de Arte do Paraná em Curitiba no MAC (Museu de Arte Contemporânea) e kms5n6j6jw6EHkuhuf7ytgEQg4jk46a45h (Galeria Laura Marsiaj - Rio, 2011).

O Solar Meninos de Luz é uma organização civil, filantrópica, em funcionamento desde agosto de 1991. Promove educação formal e complementar em regime integral, cultura, esportes e cuidados básicos de saúde nas comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Oficina do Projeto Respiração - Paulo Vivacqua - dias 10 e 11 de agosto de 2011. Local: Solar Meninos de Luz - Rua Saint Roman, 149 - Copacabana - Rio de Janeiro / RJ - tel: (21) 2522-9524 - www.meninosdeluz.org.br

Realização: Fundação Eva Klabin - www.evaklabin.org.br - Coordenação e organização: Ruth Levy - Patrocínio: Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro

Nympheas / Foto do artista

Próxima edição do Projeto Respiração abrirá em setembro

A 13ª edição do Projeto Respiração - Regra de dois, de Carlito Carvalhosa - encerrou ontem, dia 26/06, com muito sucesso de público e de crítica (veja o clipping selecionado).
Agora, estamos preparando a próxima edição, com abertura no início de setembro. Aguardem!
Enquanto isso, estamos realizando as oficinas do Projeto Respiração.
É que em 2011 o Projeto Respiração está sendo apresentado a comunidades do Rio através de oficinas de arte, realizadas com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. Serão ao todo cinco oficinas em cinco comunidades diferentes; a primeira foi realizada pela artista Claudia Bakker na Biblioteca Parque de Manguinhos (saiba mais).

13ª edição | Carlito Carvalhosa | Clipping selecionado


Segundo Caderno | O Globo | 25/04/2011


Veja Rio | 25/04/2011


Jornal Destak | 27/04/2011


Jornal do Brasil | 29/04/2011


Jornal do Commercio | 29/04/2011


Rio Show | O Globo | 29/04/2011



Segundo caderno | O Globo | 09/05/2011


Veja Rio | 09/05/2011


Veja Rio | 23/05/2011



Veja Rio | 20/06/2011




Revista Época | 06/07/2011

Oficinas do Projeto Respiração | Ponto de Cultura Rede de Arte e Cultura da Maré


No dia 18/06 a Fundação recebeu alunos do curso de Mediadores Culturais do Ponto de Cultura Rede de Arte e Cultura da Maré, que vieram com a professora Isabella Porto conhecer a Fundação, ver a 13ª edicão do Projeto Respiração e encontrar a artista Anna Bella Geiger, que vai realizar uma oficina com o grupo no início de agosto.

Emílio Kalil visita a 13ª edição do Projeto Respiração


O curador Marcio Doctors e o artista Carlito Carvalhosa receberam no sábado, dia 14/05, a visita do Secretário Municipal de Cultura do Rio, Emílio Kalil, que veio conferir a 13ª edição do Projeto Respiração, Regra de dois. Acompanhando o Secretário, vieram tabém Paulo Herkenhoff, que foi curador da FEK nos anos 90, e Gunnar Kvaran, diretor do Museu Astrup Fearnley de Arte Moderna, em Oslo.

Lançamento do filme A sensibilização do espaço

























É hoje, sexta feira 29/04/2011, o lançamento do filme A sensibilização do espaço, de Claudia Bakker, realizado na Oficina do Projeto Respiração na Biblioteca Parque de Manguinhos
Saiba mais clicando aqui

13ª edição | Carlito Carvalhosa | Galeria de fotos da abertura

Confira a galeria de fotos da abertura da 13ª edição do Projeto Respiração na nossa página no facebook
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150175016776162.322166.117345281161
aproveite e torne-se um fã da Fundação Eva Klabin

13ª edição do Projeto Respiração | Carlito Carvalhosa













Carlito Carvalhosa

Regra de dois

curadoria
Marcio Doctors

de 27 de abril a 26 de junho de 2011

Saiba mais

Leia o texto do curador e veja as fotos

O Projeto Respiração oferece oficinas para comunidades carentes









Oficinas do Projeto Respiração

A 13ª edição do Projeto Respiração conta com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e, em 2011, será ampliado para comunidades carentes da cidade, através de oficinas de artes. Serão oferecidas cinco oficinas e a primeira será realizada pela artista plástica Claudia Bakker, nos dias 5 e 6 de abril, na Biblioteca Parque de Manguinhos.

Oficina A sensibilização do espaço com Claudia Bakker

No dia 05/04, a museóloga Ruth Levy fará uma apresentação sobre a Fundação Eva Klabin e o Projeto Respiração – programa de intervenções de arte contemporânea, com a curadoria do crítico e curador da fundação, Marcio Doctors. A artista plástica Claudia Bakker, que participou da 6ª edição do Projeto Respiração, "Estados de Metáfora", com o trabalho Primavera Noturna, fará uma apresentação sobre seu trabalho e a proposta da oficina a ser realizada no dia seguinte. Na oficina do segundo dia, 06/04, Claudia trabalhará a percepção do espaço através de sua sensibilização como o elemento construtivo de uma instalação. Essa sensibilização será desenvolvida a partir da memória como lugar do sonho; dos sonhos que acreditamos ter quando estamos acordados, que são da ordem do desejo, e que intuitivamente aparecem com força em determinados momentos da trajetória da vida de cada um de nós. A partir desses elementos, será construída uma narrativa individual de um projeto para um espaço escolhido da biblioteca. Será um projeto/roteiro, podendo ser falado, escrito e/ou desenhado, e em conjunto com a artista pensar quais são as "coisas" do mundo que se adequariam a esse projeto para a concretização no espaço escolhido. Ao final, cada um fará uma apresentação da sua proposta que será filmada. O filme/documento desse encontro permanecerá em exposição na Biblioteca Parque de Manguinhos durante um mês. Os participantes serão convidados também a fazer uma visita guiada na Fundação Eva Klabin, conhecer sua coleção e ver a próxima edição do Projeto Respiração, “Regra de dois”, do artista Carlito Carvalhosa, que abrirá no dia 26 de abril.

Claudia Bakker - Uma das principais influências na obra de Claudia Bakker foi o convívio com a artista Lygia Pape, que foi uma grande incentivadora do seu trabalho. Mestre em Comunicação e Tecnologia da imagem pela ECO/UFRJ,sua pesquisa foi resultado das sensíveis experiências realizadas pela artista na natureza. A primeira instalação realizada por Claudia Bakker foi no Museu do Açude, no Rio de Janeiro, onde colocou 900 maçãs numa fonte de água natural em 1994. Nas suas instalações o repertório de materiais ora se repetem ora se intercalam em trabalhos que tem o tempo como questão. Com frequência mostra seu trabalho em exposições individuais e coletivas em importantes instituições como o Paço Imperial, Casa França Brasil, Fundação Eva Klabin, Museu do Açude, Winzavod Center of Contemporary art/Moscou, CarpeDiem/Lisboa , Baltic Library and Archive/Gateshead, dentre outras. Tem trabalhos em coleções particulares e públicas, com destaque para as de Gilberto Chateaubriand no MAM/RJ, Joaquim Paiva e João Sattamini e é representada no Rio de Janeiro pela Galeria Anita Schwartz. www.claudiabakker.com.br.

Oficina do Projeto Respiração - Claudia Bakker: A sensibilização do espaço - dias 05 e 06 de abril de 2010, terça e quarta feira, das 14h às 17h. Local: Biblioteca Parque Manguinhos – Av. Dom Helder Câmara, 1184.Tel: 21-2334-8915 e 2334-8916 - Inscrições no local – Realização: Fundação Eva Klabin - Patrocínio: Secretariade Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

ANNA MARIA MAIOLINO | é

12ª edição - 10 de setembro a 30 de outubro de 2010











Anna Maria Maiolino | texto da exposição

é

“O ato de transcender a si próprio é,
por toda parte, o ato supremo –
o ponto originário – a gênese da vida.
Tal como a chama, que é um ato
semelhante.”
novalis

O desejo de Anna Maria Maiolino é tocar no que “é”. Mas o que significa isso? Significa dizer que a realidade é transparente, e o mistério, aparente. Significa dizer que Maiolino busca despertar, através de sua obra, o mistério como aparência. Talvez a imagem da primeira aparição de Deus a Moisés possa exemplificar metaforicamente o que estou procurando expressar. Deus se apresenta na imagem de uma sarça ardente. Um fogo que não consome o arbusto que está queimando e que quando perguntado por Moisés como deve apresentá-lo aos outros homens responde: diga que sou o que é. Em outras palavras, “o que é” é o mistério da essência. Não é imprescindível que a potência se realize – que se consuma –, mas é fundamental que a potência se revele como essência imanente. A aparência com que Deus se apresenta não é a do fogo que queima e destrói, mas a da força capaz de arder sem destruir: potência criadora. No episódio da sarça ardente, Deus torna aparente a sua potência como essência criadora, sem intermediações: simplesmente “é”.
O que Anna Maria Maiolino busca explicitar por meio de sua obra é, no Projeto Respiração, é a arte como energia criadora. O fogo simbólico de Prometeu, que é o desejo do homem de descolar-se do imediato da vida para atingir níveis de percepção mais apurados por saber-se consciente da vida, Maiolino introduz na sua videoinstalação através da figura feminina de vermelho que caminha silenciosamente levando adiante a chama do desejo criativo da paixão e do conhecimento. A artista projeta nessa figura a força da resistência e da permanência da arte, mas, ao mesmo tempo, habita a casa com sons que trazem de volta a vida nas suas múltiplas dimensões, que a casa ao tornar-se museu, paralisou. São sons que chamam pelo nome de Anna, pelo nome de Sandra, a performer; é o som da flauta de seu neto; são sussurros e falas incompreensíveis, respirações e suspiros; é a voz cansada de Anna declamando Santa Teresa de Ávila:

Vivo sem viver em mim.
E de tal maneira espero,
Que morro porque não morro.


é é uma espécie de resistência que a vida cria por superposições e camadas de sentido que Anna traz consigo e descobriu também ao conviver com a casa, que são os medos, os desejos e os sonhos de Eva Klabin. é é a misteriosa estátua de Santa Teresa de Ávila, que atrai tanto os visitantes do museu, recoberta por um manto vermelho durante a performance do dia da
inauguração. é é a cama de Eva klabin com uma colcha vermelha cheia de ovos, tributo da artista ao maior de todos os mistérios – a fecundação. é é mais que tudo não esconder o desejo e o mistério. É fazê-los cúmplices da arte e revelá-los sem temor, na sua transparência.
é é uma intervenção substantiva, que se pretende direta e indicativa, sem subterfúgios, porque busca explicitar o mistério; que é ser o que é. Não busca o ser das coisas, mas a pulsão que as habita, que não é outra coisa que não elas mesmas. Esse mundo blindado que a artista cria é de pura consistência metafísica, que ela nos apresenta despida de qualquer transcendência.
Maiolino, na sua intervenção, nos oferece uma multiplicidade de camadas de sentidos, reservando para cada um de nós a possibilidade de transitar pelos espaços da casa permitindo-se experimentar a difícil, delicada e arriscada experiência da imanência.
é é uma intervenção que não tem a pretensão de nos ensinar nada; ao contrário, quer simplesmente nos oferecer a possibilidade de experimentar o sentido da multiplicidade da diferença, que cada um de nós traz consigo por sermos singulares. Esse sentido único, que pertence a cada um de nós, é para Anna a possibilidade da experiência da diversidade. Esse uno que determina a diferença é a explicitação do mistério, que a artista tenta nos apresentar de
forma direta, simples e imediata na sua intervenção do Projeto Respiração. A casa de Eva Klabin permitiu que Maiolino lidasse diretamente com o outro, que é Eva, e descobrisse aqui, num tempo paralisado por uma vida, um desvio que nos permite nos questionar experimentando a diferença como mistério pulsante; carne do mundo.

Haverá tantos mistérios quantos indivíduos.
Haverá tantos sentidos quantos indivíduos: é...

Marcio Doctors

Anna Maria Maiolino | clipping


















O Globo - Segundo Cadermo - 04/11/2010

DANIELA THOMAS | SUBSTITUIÇÕES

11ª edição - 26 de junho a 15 de agosto de 2010















































































LILIAN ZAREMBA | EVASÃO

11ª edição - 26 de junho a 15 de agosto de 2010













































Daniela Thomas e Lilian Zaremba | texto da exposição

ROTEIROS IMAGINÁRIOS

O Projeto Respiração é uma espécie de processo de escavação ao contrário da casa, da coleção e da vida de Eva Klabin. Em vez de serem retiradas camadas de sentido para reconstruir a “ficção” de um passado que desconhecemos e que pertenceria às memórias da colecionadora, artistas são convidados a escavarem o presente e a acrescentarem camadas de sentido que construam uma “ficção” de futuro para o museu. Entendo o legado de Eva Klabin como sendo a criação de um mito atemporal, capaz de criar uma presença tão forte no imaginário das pessoas que tem a potência de alimentar o presente. E o Projeto Respiração surge como o pretexto [pré-texto] poético que contribui para liberar a imaginação dos artistas em relação ao outro distante: o murmúrio de uma personalidade que silenciou a si mesma nos objetos que a circundavam, emergindo ela mesma como um objeto de memória.

Quem é Eva Klabin? O que é esta coleção?

Deslocamentos incessantes que encontram respostas no impulso de perguntar. É nas indagações que se dá o encontro entre o sentido desencadeado pela colecionadora, que se construiu a partir do aprisionamento de obras de arte, e o sentido do artista, que aqui se vê diante da construção de uma vida e de uma coleção que agora lhes são entregues como objetos do imaginário. Corrente entrelaçada de desejos, pensamentos e memórias: filme mudo da existência; literatura sem palavras.

Eva: guardiã de imagens-tempo, que, ao apresentar o real como real e imaginário, retém o tempo da imagem no tempo da realidade de sua vida.

Projeto Respiração: território de errância, em que a ação / arte interfere na realidade da coleção, ao libertar as obras e a colecionadora da clausura do tempo e ao apresentar o imaginário como imaginário e real.

Realidade e imaginação conservam na casa-museu, como no cinema, a latência de um na manifestação do outro. Foi essa percepção que levou Daniela Thomas e Lilian Zaremba a costurarem realidade e imaginação através de um jogo de presenças e ausências, criando roteiros imaginários: Substituições e Evasão.

Há uma forte aproximação entre as palavras e as frases, escolhidas por Lilian Zaremba, da única gravação da voz de Eva deixada no final de sua vida, que preenchem o espaço da Sala Verde, e a ideia de substituir obras do acervo por sua descrição falada na ação de Daniela Thomas. Personalidade e coleção são interpeladas pelas intervenções das artistas. Nas duas, uma constelação de palavras pede a costura de uma paisagem mental que vai sendo desenhada à medida que é ouvida. Ao criarem lacunas que deverão ser completadas pela singularidade de cada um, sou levado a me perguntar sobre o sentido – a direção – da comunicação e da irredutibilidade entre as palavras e as imagens. Imagens e palavras são de origens e destinos distintos: quem as pode juntar é a imaginação e nunca a pretensa verdade que ambicionam.

O que faz ver são as palavras e não as imagens. Nas palavras há sobras; nas imagens, captura de presenças. As palavras existem porque esquecemos; as imagens existem porque queremos lembrar. Tanto uma como outra criam lacunas, as palavras porque para existirem precisam da generalização, que é uma seleção por abandono das diferenças; e as imagens porque necessitam do fragmento, que é um recorte do fluxo da diferenciação / tempo, imposto pelo sentido de totalidade que a aparição da presença estabelece. Ao sequestrar imagens da coleção, Daniela nos devolve suas presenças, nos incitando a vê-las por meio das palavras. Da mesma forma, Lílian presentifica na voz de Eva Klabin a captura de sua presença, tal como numa emissão radiofônica, fazendo que habite de novo o espaço da casa, que o conceito de museu sequestrou. Ambas invertem intercambiando a lógica e o mecanismo das palavras e das imagens, ao criarem paisagens imaginárias através do som.

O que diferencia a proposta de uma e de outra é que Daniela Thomas trabalha com a ideia de coleção e Lilian Zaremba, com a ideia de colecionadora.

[Substituições] Daniela Thomas propõe que imaginemos a obra na sua ausência. Sugere uma aproximação do acervo [a aproximação da escuta], solicitando atenção e concentração dirigidas que provocam um movimento de internalização, tanto de quem descreve os objetos de arte quanto de quem escuta a descrição. Ela evidencia que o sentido de uma obra se completa pela ação de quem a contempla. Sem o outro não há obra de arte. Ao polarizar esse pensamento, indica-nos que a arte é um espaço de acolhimento de uma temporalidade outra capaz de se contrapor à fragmentação do tempo dispersivo da atualidade, oferecendo um tempo concentrado e atento. Assim como Eva Klabin retira de circulação as obras do mercado para aprisioná-las na sua coleção, Daniela Thomas retira algumas obras do museu para prender a nossa atenção, preenchendo o espaço-visão da casa com o murmúrio-tempo das vozes.

[Evasão] Lilian Zaremba nos convida a entrar na Sala Verde, o espaço de transição entre o público e o privado, entre o auditório da Fundação e os aposentos de Eva Klabin. Escolheu essa sala por ser uma passagem entre dois mundos – a realidade e a imaginação – para evidenciar que um está contido no outro. A realidade da colecionadora que viveu nesta casa e a imaginação que envolve a personagem em que ela se transformou ao constituir um museu no espaço que residiu. A realidade de uma personagem e a ficção de uma vida. A casa-museu de Eva Klabin é tanto uma natureza-morta quanto uma still life. É algo que pertence a um tempo morto e também a um tempo que “ainda” está vivo e “parado”; por isso a razão da natureza-morta ou da still life feita de válvulas antigas de rádio, lembrando que a transmissão radiofônica é o som que atravessa o espaço e cria presenças; por isso a voz de Eva Klabin, como evasão desse espaço que a aprisionou na memória cultural e social que ela desencadeou. Sua voz nos traz de volta a still life que a natura-morta-museu nos privou, criando uma paisagem sonora que nos fala da passagem e da permanência de um tempo ainda vivo.

Substituições e Evasão nos falam de presenças que estão ausentes e de ausências que se fazem presentes, de realidades imaginadas e de imaginações reais, de palavras que fazem ver e de sons que constroem visões. Uma casa ocupada por murmúrios: literatura de imagens sonoras.

Marcio Doctors
Curador

DANIELA THOMAS | SUBSTITUIÇÕES

Texto da artista

Flana-se pela casa da Eva. Passa-se os olhos pelos objetos, pinturas, vitrines. Nos entretemos com as escolhas, com os cenários "à moda de": sala inglesa, renascença, chinesa. Há uma força magnética na casa, talvez centrífuga, nos empurrando todo o tempo em direção ao próximo quadro, objeto, ambiente. Não nos detemos. O próprio excesso e variedade de coisas nos movimenta para adiante. E mais adiante.

Meu impulso foi deter esse movimento. E se tivéssemos de dar conta de cada obra? Se tivéssemos que realmente parar e focar e submergir na obra? Propus a várias pessoas, entre artistas, jornalistas, cientistas, escritores, crianças, trabalhadores da própria fundação que tentassem DAR CONTA de um objeto que eu iria retirar da exposição e SUBSTITUIR com essa descrição gravada.

Imaginei questões que o projeto poderia suscitar:

1. um distúrbio à visita, já que as salas estarão obviamente "banguelas", com vazios preenchidos apenas pela pequena e desinteressante caixa de som, provocando uma interrupção no movimento centrífugo natural do visitante.
2. um distúrbio auditivo, já que a casa estará povoada de vozes todo o tempo.
3. um desafio à imaginação do visitante que se vê obrigado a projetar à partir da descrição que ouve, o objeto faltante.
4. um desafio à imaginação do "descrevedor".

Nessa última e central questão, o mais interessante desafio: como SUBSTITUIR, como DAR CONTA com palavras, da totalidade de uma obra de arte? Tarefa hercúlea e fadada ao fracasso, mas que provoca uma sorte de escolhas que evocam a própria história do pensamento em sua imensidão e fragilidade. Ficamos aí também à mercê dos excessos: descrever exaustivamente ultrapassa a obra? quando parar? O quanto de subjetividade é permitido? E desejável?

LILIAN ZAREMBA | EVASÃO

Texto da artista

...cette langue sera de l´âme pour l ' âme, résumant tout
parfums, sons, couleurs...
(Rimbaud, carta a Valery, maio,1871)

Um sinal é gerado por um processo: liga-se o rádio.
Ação realizada com sucesso, sinal aceito, sinal entregue.
Um evento cotidiano aparentemente sem importância... mas e se não houver um objeto, um rádio a ser ligado? Sinal de um rádio tomado como metáfora para transmissão, circuito, desarticulação, metamorfose, recepção, mutação. Radiofonia, domínio heterogêneo para além das concepções comuns da comunicação como mídia.

Um aparelho para colocar algum código pode também tornar-se um aparelho para decodificar mensagens... palavras guardam real significado na musica de cada voz, impressão sonora única, sinal marcado no tempo também enfronhado por escolhas pessoais. Estas, amordaçam o espaço nos objetos trajetos de uma vida inteira, transmitindo silencio ruidoso como naquele arranjo em cima da mesa, uma natureza morta – still life – interrompida por esta voz que insiste em existir...still, parada...still, ainda...
Ouvimos bibb do rádio relógio determinando os segundos, estes mesmos instantes subdivididos pelo tac tac do metrônomo. Mas este ritmo fechado em espaços precisos escapa de sua homogeneidade quando a voz de Eva, impõe seu próprio tempo, nos envolvendo em ressonâncias da memória. Aquela outra voz, repetindo as frases de Eva, se esforçando, obediente, para acompanhar o tempo preciso, é a voz radiofônica.
Perdida no trânsito das válvulas, objetos do cotidiano que também se esvaem na presença de substituições corpóreas (novas tecnologias?) já sugeridas naquele outro aparato nomeado ipod. Na tela deste pequeno ipod, enxergamos a areia caindo na ampulheta. O tempo escorre como sombra porque, embora lento, nossos olhos não conseguem distinguir cada grão de areia precipitado. Um milésimo de segundo? você ouve isso?
A primeira rádio, tocando o tempo aonde seu grau zero é aquela voz. A voz que irrompe “como espião” e transforma a homogeneidade do tempo, este que está sendo medido pela ampulheta, lançando seu próprio pulsar naquela sala verde onde o belo e grande relógio está parado. Ali, sempre será oito horas da noite...ela diria: “...ah! isso foi a vida inteira...”
Evasão... sonhar uma língua que decodifique este congelamento do espaço de uma casa-museu, captando outras mensagens naquela voz que ainda respira a natureza presente, escapando do cronômetro inaudível de um tempo que nos engole.

P.S. - e toda vez que alguém pergunta " isso é radio?" esta escuta ensurdece.

créditos:
um trabalho de Lilian Zaremba
áudios com frases faladas por Eva Klabin e repetidas por locutora, sob som constante de bibps da Radio Relógio e Metronomo, ecoados na Sala Verde (do museu) onde também se coloca sobre a papeleira uma "natura morta" composta por alto falante, válvulas de rádio transmissão e ipod com filme e trilha.
ficha técnica:
fotografia e filmagem : Lucia Helena Zaremba
edição do filme em ipod : Franscisco Cid Guimarães
iluminação : Fernando Sant' Anna
voz e supervisão de edição sonora: Adriana Ribeiro
editor de som : Alexandre Meu Rei (ECOSOM)
agradecimentos: Toni Godoy, Irene Peixoto, Alcimar Ferreira, Álvaro Barata

Daniela Thomas e Lilian Zaremba | clipping


O Globo - Segundo Caderno - 24/06/2010


O Globo - RioShow - 25/06/2010





















O Globo - Segundo Caderno - 28/06/2010